Acho que fui pega primeiro pelas locações familiares. Muita Casa Belfiore. Muita. É estranho ver na tela grande cenas do seu cotidiano mesmo. Lugares que você freqüenta ou freqüentou, situações que você, certeza!, já viveu, pessoas que você conhece ou, no mínimo, já viu por ai. As mesmas músicas, bebidas, manias, baladas, tipos de homem…
Porque quando você assiste a um filme nacional, daqueles que “retratam cenas do cotidiano do povo brasileiro”, as tais “cenas do cotidiano” não são do seu cotidiano… Mal e mal são do cotidiano de alguém que more numa cidade como São Paulo. Além do que, a maioria das histórias do cinema nacional acontece no Rio de Janeiro ou no Nordeste – lugares beeem diferentes daqui.
Por toda essa aproximação com a minha realidade, eu gostei do filme #Nome Próprio#. Também porque adoro a Leandra Leal, adoro São Paulo e admiro, de certa maneira, mulheres doidas que tomam bola e enchem a cara sozinha em bares.
Por outro lado, o lance todo de realidade familiar, me faz questionar se as pessoas que não vivem – ou não viveram - essa realidade gostariam do filme. Não porque ele seja ruim, mas porque talvez não entendam mesmo – quase piada interna, entende?
É o oposto com um filme rodado no Rio de Janeiro, onde todo mundo conhece as paisagens/locações do avesso, graças às novelas da Globo e filmes nacionais como “Solteiro no Rio de Janeiro” (é esse o nome?), ou “Bossa Nova” (aquele com o Fagundes tendo aula de inglês), ou “Tropa de Elite” (pede pra sair zero-meia), ou “Cidade de Deus” (dadinho é o caralho!)…
Já o Nordeste é bem desconhecido para a maioria dos brasileiros que moram na altura ou abaixo do trópico de Capricórnio. Enfim… Nem precisamos entrar em detalhes.
Assisti ao filme na pré-estréia do My Space que aconteceu no Espaço Unibanco há alguns dias já. O que estragou foi o debate depois. É claro que a personagem da Leandra (Camila) é a Clarah Averbuck, autora dos livros que inspiraram o filme. É claro que as histórias ali mostradas são autobiográficas. E tudo isso fica mais claro ainda quando sentam atriz, diretor (Murilo Salles) e Clarah para um debate que não consegue acontecer – graças a uma escritora bêbada e mal-educada, que provavelmente vive – ainda – aquela realidade do filme. Pra mim saudosa. Pra ela atual.
Recomendo.
2 Comentários
Comentários RSS URI identificador do TrackBack
Deixe um comentário

voce viu que ela deu uma entrevista pra bravo falando mal do filme? que louca,ne?
ela gostou do filme sim, tá ajudando bastante na divulgação dele. só é um pouco de ciumeira da personagem, haha. mas como ela mesmo diz: “autor bom é autor morto”. *rssss